Em Andamento

DE OLHO NOS MUROS: ITINERÁRIOS DO GRAFFITI EM FORTALEZA

Lara Denise Oliveira Silva (Mestre)

Este trabalho tem como tema o graffiti na cidade de Fortaleza e os desdobramentos dessa prática entre lugares: “dentro” e “fora” das cenas que congregam a paisagem dessas experiências. Entende-se por graffiti imagens figurativas, desenhos, letras e nomes feitos com tinta spray de várias cores em muros, paredes, viadutos, caixas de telefone, entre outros suportes, que compõem a paisagem das cidades grandes e médias, brasileiras e internacionais. Visto como atividade marginal em um passado recente no Brasil, o graffiti atualmente é uma prática permitida por lei, embora sua legalização ainda comporte contradições. Ele vem sendo cada vez mais utilizado pela mídia e publicidade e parece ter atraído a atenção da população em geral. No âmbito das visões de positividade do graffiti, identificam-se, comumente, duas posições: a que acredita que se trata de uma intervenção que embeleza a cidade e segundo a que considera que essa atividade desvia o foco da pixação e de experiências de delinquência.  Pode-se dizer que o graffiti, mesmo atravessado por entendimentos diversos, é uma das linguagens que compõe a street art ou arte urbana, conceito do universo da arte que compreende as produções artísticas que utilizam o urbano como tema e como suporte. Ele também pode ser considerado uma espécie de “caligrafia urbana”, já que as letras também tem lugar no graffiti, constituindo um de seus estilos mais antigo e privilegiado. Por ocupar a esfera pública, o graffiti faz parte do rol dos registros murais que desde a pré-história utilizam as superfícies públicas para comunicação, protestos, declarações etc. Ao acompanhar os itinerários dos grafiteiros pela cidade, foi possível esboçar uma cartografia do graffiti em Fortaleza identificando-se: como ocorre a escolha dos locais grafitados, quem são os grafiteiros, de que maneira relacionam-se com a cidade, como constroem seus repertórios artísticos e de que forma articulam um habitus (BOURDIEU, 1993; 2003) específico, denominado por mim de transgressor, que é o que garante o reconhecimento como grafiteiro dentro e fora da cena. A relação entre graffiti e pixação também foi discutida, revelando as conexões que existem entre estas duas práticas.
Palavras-chave: cidade. graffiti. pixação. habitus transgressor.

 OS SENTIDOS DE TRANSIÇÃO NO ENSINO MÉDIO PARA JOVENS DE DUAS ESCOLAS PÚBLICAS DE FORTALEZA-CE. 

Maria Alda de Sousa (Doutoranda)

Nesta pesquisa intento trazer uma reflexão sobre os sentidos de transição no ensino médio tendo como pano de fundo a relação entre juventude e escola. Trata-se de uma discussão presente em minha pesquisa de doutorado, em andamento, a qual tem como campo empírico uma escola de ensino médio profissionalizante e uma escola de ensino médio regular, em Fortaleza-Ce. A imagem da juventude como um processo de diferentes transições é uma idéia partilhada por autores cujo olhar se volta a questões relacionadas à sociologia da juventude. Pais (2009) e Marques (2003), por exemplo, acentuam que na passagem para a chamada idade adulta continua a predominar uma valorização de determinados marcadores como a obtenção do primeiro emprego, o casamento e o nascimento do primeiro filho, embora tais “ritos de passagem”, nas sociedades contemporâneas, não se apresentem de modo preciso. Para parte significativa de jovens das classes populares a transição fundamental é aquela que se processa com a saída do sistema educativo e a entrada no mercado de trabalho. Um dos principais espaços de socialização e sociabilidade juvenil, e campo no qual se é legitimado tal rito de passagem é a escola, embora atualmente se reconheça a existência de uma crise das instituições modernas ou uma “desinstitucionalização do social” (ABAD, 2003, DUBET, 2007). Tem-se, assim, que as tensões e os desafios existentes na relação atual da juventude com a escola são expressões de mutações profundas, que vêm ocorrendo na sociedade ocidental, sobretudo, por meio de uma heterogeneidade de espaços de socialização (antes ocupados pela família, a escola e o trabalho) afetando diretamente as instituições, os processos de socialização das novas gerações, e interferindo na produção social e subjetivação dos indivíduos (Dayrell, 2007). Importa aqui perceber os sentidos atribuídos pelos sujeitos as transições experimentadas no ensino médio no sentido de saber até onde elas representam uma possibilidade de continuidade dos estudos ou o ingresso no mercado de trabalho. Como são construídas as trajetórias escolares dos jovens diante da experimentação de diferentes processos de transição? Quais os sentidos de transição no ensino médio? E qual a relação existente entre esse nível de ensino e seus projetos de vida/futuro? A partir de aproximações com o campo de pesquisa, por meio de observação participante, grupos focais, enquetes e entrevistas individuais, venho colhendo dados, tais como o registro de frases: “estou na escola porque quero entrar na universidade”; “a escola dificulta muito minha vida porque tenho bem menos tempo pra tudo.” Tais falas sinalizam que, para os jovens estudantes do ensino médio profissionalizante, há uma mudança significativa em suas rotinas de vida, já que é um tipo de escola que funciona em tempo integral. E embora vise preparar para o mercado de trabalho, parece buscar despertar o desejo de ingressar na universidade, como se supõe ser em algumas escolas públicas de ensino médio regular.
Palavras- chave: Juventudes, escola, rituais de transição, projetos de vida.

 
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